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Pessoas Altamente Sensíveis: Como & Quando contar aos outros

Pessoas Altamente Sensíveis: Como & Quando contar aos outros

Há sempre aquele dia em que uma pessoa descobre que o traço de Alta Sensibilidade faz parte do seu temperamento. De seguida, ela tem curiosidade e começa a investigar mais a fundo o tema de forma a cuidar-se melhor e com mais bondade. E depois vem a pergunta: e agora? a quem e como vou contar isto?

Recentemente li um artigo em que escreviam quando e a quem devemos falar sobre o nosso traço de Alta Sensibilidade. E a verdade é que esta é uma questão bastante interessante tendo em conta que 80% da população não é altamente sensível e não vai provavelmente entender muito bem do que estamos a falar…

Ou seja, por um lado com tanto overload de informação a pairar na cabeça das pessoas, talvez nem todos vão se interessar por esta questão. Por outro, acho que seria importante sensibilizar o mundo sobre este tema e aliviar o sofrimento de tantas pessoas que não sabem sobre a sua Alta Sensibilidade e por isso não se compreendem e pensam que têm um problema.

Não sei como foi contigo, mas quando eu identifiquei em mim este traço de temperamento, de repente tudo mudou. Muitos peças do puzzle da minha vida começaram a encaixar-se para fazer uma imagem mais clara. E passei a cuidar de mim com MUITO mais carinho e compaixão!

Por isso, abaixo partilho contigo 3 aspetos a considerar sobre este tema.

  1. SEMPRE QUE NECESSÁRIO


    Cada Pessoa Altamente Sensível vai ter sensibilidades diferentes. Umas são sensíveis ao ruído, outras à luz, outras às emoções dos outros (empatia emocional), outras aos cheiros, outras à temperatura, etc. Quando reconhecemos as nossas sensibilidades, é apenas natural que quando for necessário nos possamos expressar de modo a conseguir ao máximo o nosso conforto (atenção que às vezes vai ser preciso negociar e fazer cedências).

    Por exemplo, se no trabalho me incomoda o ruído, posso falar com o meu chefe e comentar que sou mais produtivo se ele me deixar usar headphones de forma a concentrar-me sem o barulho à minha volta. E nessa altura provavelmente vai bastar isso ou, se reconhecermos que ele se interessa pela questão, podemos explicar um pouco mais.

    Outro exemplo, vivo com alguém mas preciso do ter o meu tempo sozinho. Nessa altura podemos ir mais profundo e falar que descobrimos recentemente que temos um sistema nervoso que processa muita informação ao mesmo tempo. E que por isso precisamos de tempo sozinhos para descomprimir de modo a acalmar a mente e o sistema nervoso sensível. Uma boa sugestão, caso a outra pessoa fique curiosa, seria ambos verem o documentário Sensitive, que podem alugar na amazon.

  2. COMO EXPLICAR & CONTRIBUIR


    Segundo a Dra Elaine Aron a conversa pode ser iniciada de forma tão simples quanto “Já ouviste falar do traço de personalidade da Alta Sensibilidade? Sim, existe em 20% da população! É uma estratégia de sobrevivência tanto nos humanos como em mais de 100 espécies animais. Imagina que o sistema nervoso nasce desenhado para captar a informação de uma forma muito profunda!“.

    Sabias que isso pode levar a alguns desafios como ficar cansado mais depressa, precisar de descomprimir, e ter certas sensibilidades. Mas também traz uma grande criatividade, empatia, detetar pequenos detalhes, ler microexpressões nas caras das pessoas. Enfim, é um “pacote” que traz desafios mas também tem muitas vantagens giras. Só há que saber gerir bem a coisa.

    A quantidade de informação que partilhamos vai depender do interesse da outra pessoa. Mas o importante é não falar sobre este traço de forma negativa, caso contrário estamos a reforçar a crença que “há algo de errado connosco”.

    Mas também podemos contribuir para o conhecimento da Alta Sensibilidade a nível coletivo: escrevendo artigos sobre o tema, partilhando a informação que vamos lendo ou ouvindo, ou os posts que vamos vendo nas redes sociais. Enfim, não deixar a informação cristalizada mas fazê-la circular!

    Por exemplo, ainda esta semana fiz uma entrevista para um grupo de jovens que está a fazer um trabalho para a disciplina de Psicologia sobre Pessoas Altamente Sensíveis. E a razão de o fazerem foi que uma das raparigas tem familiares que só descobriram que eram PAS numa idade mais avançada. Ela presenciou o quanto a vida tinha sido difícil para eles até aquele momento, e por isso quis contribuir para a divulgação da Alta Sensibilidade. E ela nem sequer é PAS! Não é lindo? Fiquei emocionada!

  3. NÃO USAR O TRAÇO COMO MOTIVO DE SEPARAÇÃO


    O coração do mundo e da humanidade já alberga demasiada separação. Ou pelo o gênero, ou a raça, ou a orientação sexual, ou a política, ou a religião, ou agora a pandemia, ou o clube de futebol, ou…, ou…. Por isso, gostaria de deixar esta grande chamada de atenção para não se usar a Alta Sensibilidade como mais uma desculpa para falar “deles para um lado” e “nós altamente sensíveis para o outro”.

    Há que entender que a Alta Sensibilidade não é a totalidade de nossa identidade e não há que usá-la como um rótulo ou um estandarte. É sim, uma parte de nós que requer o seu devido autocuidado e autocompaixão de modo a equilibrarmos o nosso sistema nervoso sensível e vivermos em serenidade no nosso corpo-mente.

    E se precisares de apoio nessa jornada, estou aqui para te apoiar!

O autoconhecimento que mais vale a pena, é conhecer a tua própria mente.

F. H. Bradley

E tu, como tens abordado esta questão? Já partilhaste com alguém o traço da Alta Sensibilidade? Como o fizeste e qual a reação dos outros? Partilha na secção de comentários a tua experiência.

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