O que precisas saber sobre o choro e a Alta Sensibilidade

O que precisas saber sobre o choro e a Alta Sensibilidade

Embora o ato de chorar seja normalmente associado a eventos de pesar, isso não é necessariamente verdade. Em especial para as Pessoas Altamente Sensíveis (PAS) que choram com mais facilidade tanto por alegria como tristeza ou até por sobrecarga do sistema nervoso. Neste artigo vais perceber porquê.

A investigação feita pela Dra Elaine Aron indica que as PAS têm, de facto, uma maior tendência para chorar. Isto deve-se a certas características inerentes ao traço da Alta Sensibilidade como, por exemplo, a profunda resposta emocional a situações tanto negativas como positivas, a alta empatia, e à maior facilidade do sistema nervoso entrar em sobrecarga pelos estímulos externos e internos.

Assim sendo, ao sentirmos todo o espetro de estímulos e emoções de forma profunda, o choro surge como uma das formas naturais de libertar e regular essa intensidade. Somos assim, e está tudo bem.


Claro que temos de ter em atenção que, se em determinadas situações o chorar não proporciona alívio e ficamos presos a um loop de angústia profunda, há que procurar ajuda. Como, por exemplo, em caso de um luto complicado, ou depressão crónica, ou um trauma que não se liberta.

Se não sabes qual a tua pontuação no Teste de Alta Sensibilidade, clica no botão abaixo ou partilha com alguém o teste:

Então, se chorar é normal o que fazer nessas ocasiões?

Abaixo partilho contigo 3 aspetos interessantes a ter em conta sobre este tema. Vamos lá!

  1. DÁ-TE A OPORTUNIDADE DE CHORAR


    Já reparaste que após chorar te sentes aliviado e mais relaxado?

    Por outro lado, já te apercebeste que se reprimes o choro sentes-te mais contraído e ansioso?

    Com efeito, existem vários estudos publicados que indicam que chorar ajuda-nos a regular as emoções, a acalmar a mente, a atingir a resolução de uma situação e a conectar-nos com os outros.

    O ato de chorar é até considerado por alguns como uma rotina de autocuidado emocional.

    Chorar pode ser uma boa estratégia para libertar a intensidade que se acumulou a nível do sistema nervoso quer por um evento positivo (exemplo: um filme muito emotivo, uma boa surpresa) ou desafiante (exemplo: um conflito, uma perda).

    Recorda-te disso da próxima vez que as lágrimas vierem-te aos olhos.

  2. CUIDA DE TI COM AUTOCOMPAIXÃO


    Assim, se em vez de reprimires as tuas emoções encontrares uma forma de relacionares-te com elas com compaixão, um novo mundo vai-se abrir perante ti.

    É o mundo em que aceitas a tua vulnerabilidade e abres o coração a quem realmente és. Uma Pessoa Altamente Sensível que abraça o mundo em toda a sua plenitude.

    Tudo isto requer o treino mental de gostarmos de nós e nutrirmos as nossas sensibilidades.

    Uma das minhas formas favoritas de desenvolver a autocompaixão já sabes que é a prática de mindfulness RAIN que podes aprofundar neste artigo: A Meditação que todas as Pessoas Altamente Sensíveis devem conhecer

    E se queres mergulhar ainda mais na autocompaixão aconselho-te vivamente o livro da Tara Brach Aceitação Radical.

  3. TRANQUILIZAR OS OUTROS & EXPLICAR O QUE SE PASSA


    Se sabemos que temos a tendência para chorar perante certas situações, podemos tranquilizar as pessoas que nos são próximas avisando-as do que pode suceder.

    Há algum tempo ouvi um podcast em que uma mulher altamente sensível referia que na sua casa o chorar como ato de catarse (libertação) tinha sido normalizado para todos os elementos da família.

    Ela contava que o chorar para eles era normal e, no seu caso, o marido sabia que nessas ocasiões um simples abraço era tudo quanto bastava. Isto reflete o quão importante é educar-nos e aos outros sobre as nossas sensibilidades.

    Recorda que uma das bases de uma boa relação, seja no trabalho, ou na família, ou entre amigos, é a comunicação (!). Mas para isso é preciso te conheceres cada vez melhor. E foi para isso que fiz este blog para ti.

    Também, a Dra Elaine Aron refere que podemos tranquilizar quem nos rodeia com palavras tão simples quanto “Sim estou magoado, mas não tanto quanto parece, é só que eu choro com facilidade” ou “Eu choro com facilidade, eu vou ficar bem”.

    No meu caso, quando recentemente chorei diante de uma pessoa por ficar magoada com algo que ela disse, vi claramente a profunda aflição na sua cara. Ele não podia adivinhar que eu ia reagir assim. Por isso, nessa altura tive o cuidado de recorrer à comunicação não violenta (CNV) para expressar-me: “não foste tu que me magoaste, fui eu que me senti magoada com o que disseste porque…”. Isto é muito importante. Para saberes mais sobre CNV lê o artigo: Gestão de conflitos: 3 dicas para Pessoas Altamente Sensíveis

    Assim demonstramos que somos responsáveis pelas nossas emoções, que não estamos a acusar ninguém, nem sentimos vergonha da nossa vulnerabilidade. Abraçamos quem somos. Isso dá a segurança à outra pessoa de confiar em nós e tocar a sua própria sensibilidade.

    E se precisares de ajuda nesta jornada, estou aqui para te apoiar. Não estás sozinho!

Quem não sabe chorar de todo o coração, também não sabe rir.

Golda Meir

E tu, identificas-te com este artigo? Como reages quando tens de chorar? Partilha na secção de comentários a tua experiência.

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Sofia Loureiro | BSc • MNat • PhD

Terapeuta Natural & Mentora de Pessoas Altamente Sensíveis • Autora • Palestrante

Especializada em Pessoas Altamente Sensíveis • HSP Certified Nickerson Institute • Terapeuta da Dra Elaine Aron List

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4 thoughts on “O que precisas saber sobre o choro e a Alta Sensibilidade

  1. Identifico-me muito com o que está escrito neste artigo. Tenho muita necessidade de chorar para ficar bem. Quando controlo e evito o choro fico com dores de cabeça e, com um nó na garganta que nem consigo falar. Infelizmente na nossa sociedade a pessoa de choro fácil é considerada fraca, vulnerável e instável. Mas sim, assumirmos as nossas emoções de forma positiva e explicamos isso aos outros é sem dúvida o caminho. Obrigada pelo excelente artigo!

    1. Obg pelo feedback Lénia.
      Sim, o caminho é começarmos por assumir as nossas sensibilidades e vulnerabilidades de forma consciente, em atenção plena. À medida que nos conhecemos melhor torna-se mais fácil exprimirmos a nossas necessidades, os nossos limites saudáveis e entender também os dos outros. Encontrar o equilíbrio e serenidade dentro e fora de nós.
      Sempre a sorrir.
      Sofia

  2. Olá, Sofia. Como estás?

    Identifico-me tanto com este teu post.
    Eu choro muito. Sempre chorei.

    Choro muito sozinha.

    Mas há situações em que choro diante das outras pessoas (e que não consigo controlar) e que, por vezes, me incomodam.
    São habitualmente situações em que tenho que expressar ou o que sinto ou a minha opinião (sobretudo quando é contrária à dos outros) ou defender fortemente um ponto de vista. Parece que entro num lugar dentro de mim onde fico fora de controlo. Aparece um nó na garganta, a voz começa a tremer e depois vem o choro.
    Muitas vezes é delicado e preciso explicar que é um mecanismo natural e que eu não consigo controlar.
    Mas nem sempre me sinto bem com essa minha reação, pois por vezes sinto que as outras pessoas podem pensar que é uma estratégia.

    Muito obrigada pelas tuas partilhas, sugestões e acompanhamento.

    Um abraço

    1. Olá Ana.
      Obg pela tua partilha sincera.
      Se sabes de antemão que vais estar perante essas situações desafiantes, é sempre bom fazermos uma preparação antes de modo a ter a melhor resposta para as possíveis objeções dos outros. Refiro isso neste artigo Gestão de conflitos: 3 dicas para Pessoas Altamente Sensíveis
      Nas alturas em que isso não é possível, ajuda ter à mão algumas técnicas de enraizamento que acalmam o sistema nervoso (ex: respirações profundas, sentir o peso do corpo apoiado na terra, ver ou ouvir o que temos à nossa volta, etc.).
      Foca-te na tua experiência e assim podes explicar aos outros o que se passa contigo, sem vergonha da tua vulnerabilidade.
      É um processo que leva tempo, é um treino da mente e da alma. Muita autocompaixão minha querida.
      Namastê
      Sofia

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